Passamos anos na faculdade aprendendo diagnóstico, planejamento, materiais e técnicas. E, quando começamos a atender, percebemos que existe uma parte enorme da profissão que quase não aparece na graduação.
A verdade é que atender bem não depende só do que acontece na cadeira. Tem a ver com a forma como o paciente é recebido, a comunicação e organização da clínica, a maneira como o tratamento é apresentado, o acompanhamento após a consulta e, claro, entender se o negócio está saudável.
Foi isso que mais me chamou atenção no Dental Business Experience deste ano. Em dois dias, ouvi diferentes profissionais, e vários assuntos convergiam para o mesmo ponto: uma odontologia excelente precisa ser sustentada por uma experiência igualmente bem pensada.
Voltei com muitas anotações e, inclusive, algumas ideias e insights que gostaria de compartilhar com outros profissionais. Acompanhe os principais aprendizados que levei do DBX 2026.
Experiência do paciente na clínica: primeira impressão e processos
Quando convivemos todos os dias com o mesmo ambiente, é fácil deixar de perceber aquilo que já virou rotina.
Uma das palestras do Dental Business Experience propôs um exercício muito simples e útil: entrar na própria clínica como se fosse um paciente e observar a experiência oferecida.
- o espaço da recepção;
- a pontualidade das consultas;
- a forma como cada pessoa da equipe orienta o paciente;
- o tempo de resposta no WhatsApp;
- o pós-consulta;
- os pequenos improvisos.
A verdade é que tudo isso comunica alguma coisa.
O risco de processos que dependem só de uma pessoa
Durante o evento, falou-se bastante sobre processos. Não no sentido de transformar o consultório em algo engessado, mas de evitar que a qualidade dependa exclusivamente de quem está na clínica naquele dia.
“Quando um processo importante só existe na cabeça de alguém, ele é frágil.”
Essa foi uma das coisas que mais levei para a minha prática profissional. É preciso olhar para a clínica por inteiro e não apenas para o atendimento odontológico.
Explicar melhor é diferente de “vender mais”
Vendas foi outro assunto muito presente no DBX. Inclusive, acho que esse é um tema que ainda incomoda muitos dentistas, porque, às vezes, parece incompatível com cuidado.
Mas, uma das ideias apresentadas no evento trouxe uma perspectiva diferente sobre isso: o dentista participa desse processo porque é ele quem consegue traduzir o tratamento para o paciente.
O que importa para o paciente?
Como cirurgiões-dentistas, estamos acostumados a pensar no material odontológico, na técnica que será utilizada, no número de sessões e, de maneira geral, no planejamento do caso.
O paciente, por outro lado, geralmente está preocupado em como o tratamento vai afetar a sua vida, no medo que sente, no tempo que vai precisar investir e se realmente faz sentido seguir com a proposta.
Comece pelo resultado, não pelo procedimento
Chego à conclusão de que comunicar valor não é insistir para que o paciente feche um orçamento, mas, sim, explicar bem o tratamento odontológico proposto.
“É perceber o que importa para aquela pessoa e mostrar o tratamento de uma forma que faça sentido para ela.”
Inclusive, um dos pontos discutidos foi que, muitas vezes, descrevemos primeiro o procedimento, quando talvez faça mais sentido começar pelo resultado e, só depois, explicar o caminho técnico.
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O paciente não deixa de ser paciente depois da consulta
O relacionamento com o paciente também foi um tema que me marcou bastante durante o DBX.
É muito comum que a clínica concentre energia em trazer pacientes novos e, ao mesmo tempo, acabe perdendo o contato com quem já passou por ali.
Pacientes que fizeram avaliação e ainda não começaram o tratamento, que faltaram, que finalizaram um caso ou que deveriam retornar depois de alguns meses simplesmente somem da rotina.
CRM e Follow-up são importantes
No evento, falou-se muito sobre a importância de utilizar ferramentas de CRM e fazer follow-up com os pacientes. Mas, o principal ponto abordado foi o de não transformar isso em uma sequência de mensagens frias.
Algumas dicas:
- Anote um detalhe da conversa: lembrar do que aquele paciente contou ajuda a retomar o contato com mais contexto.
- Mantenha o contato: uma mensagem depois do procedimento pode fazer diferença.
- Agende o retorno: um retorno programado ajuda a manter o acompanhamento odontológico.
Parecem coisas pequenas, mas são atitudes como essas que ajudam a construir o vínculo com o paciente.
Marketing sem perder a própria voz
As discussões sobre marketing e posicionamento do evento surpreenderam, pois fugiram um pouco daquela ideia de que produzir conteúdo é simplesmente “postar por postar”.
Falou-se sobre persona, intenção, constância, métricas e formatos de conteúdo. Mas, para mim, a parte mais interessante foi a discussão sobre autenticidade.
Papel (e limite) da IA na comunicação
A inteligência artificial (IA) apareceu várias vezes como ferramenta para organizar processos, ideias e roteiros, mas com uma ressalva importante: ela não deve apagar a voz do profissional.
Isso vale tanto para o dentista quanto para a clínica. A comunicação precisa refletir as pessoas que estão por trás dela. Do contrário, tudo começa a ficar muito parecido, muito correto e pouco verdadeiro.
Ana Cecília Navarro, ou Cici Navarro, fundadora da marca de jalecos Dra. Cherie, trouxe uma frase que resume bem essa parte:
“O belo atrai, mas o propósito conecta”.
Principalmente na área da saúde, isso faz muito sentido. Afinal, a estética pode chamar atenção, mas o que mantém uma pessoa próxima é a experiência que ela realmente vive.
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Os números que sustentam a boa odontologia
Talvez não seja a parte mais empolgante para a maioria dos dentistas, mas a gestão financeira apareceu bastante durante o evento. Falou-se muito sobre os indicadores que todo dentista deveria acompanhar:
- CAC;
- LTV;
- taxa de conversão;
- inadimplência;
- custos fixos x variáveis;
- custos escondidos;
- agenda ociosa;
- retrabalho;
- desperdício de material.
Quando olhamos item por item, alguns parecem pequenos. Quando tudo se soma no fim do mês, a história pode ser outra.
Uma frase usada durante o evento foi: “o que você não controla, você não vê”.
Achei especialmente interessante, porque nós, dentistas, somos treinados para observar detalhes mínimos durante um procedimento e, muitas vezes, não temos a mesma atenção com os números da clínica.
Não significa que todo dentista precise virar especialista em finanças. Mas precisa saber minimamente o que está acontecendo dentro do próprio negócio.
Conclusão: técnica é a base, mas não é tudo
No fim, acho que o DBX me fez olhar para a odontologia de um jeito mais amplo. Continuo acreditando que técnica é a base de tudo. Mas hoje fica ainda mais claro que uma clínica não é feita só de procedimentos bem executados.
Ela também é feita de processos, pessoas, comunicação, relacionamento, gestão e da forma como o paciente se sente em cada etapa. Foram dois dias falando muito sobre crescimento, marketing, vendas, tecnologia e negócios.
E, curiosamente, o aprendizado que ficou mais forte para mim foi muito simples: no final de tudo, continuamos trabalhando com pessoas. E é justamente por isso que cada detalhe importa.
Perguntas frequentes sobre experiência do paciente na clínica odontológica
O que é o DBX?
O DBX, ou Dental Business Experience, é um evento voltado à gestão e ao desenvolvimento de negócios na odontologia. Nele, dentistas têm acesso a conteúdo sobre marketing, vendas, tecnologia, experiência do paciente e gestão financeira de clínicas odontológicas.
Por que a experiência do paciente é importante na odontologia?
A experiência do paciente importa, pois influencia a percepção que ele tem da clínica, na confiança no profissional e no relacionamento que será construído ao longo do tempo.
Quais métricas o dentista deve acompanhar na gestão da clínica?
Entre os indicadores destacados no DBX estão CAC (Custo de Aquisição de Cliente), LTV (Lifetime Value), taxa de conversão, inadimplência, custos fixos e variáveis, custos escondidos, agenda ociosa, retrabalho e desperdício de materiais.
Como usar a inteligência artificial na comunicação da clínica?
A IA pode ajudar o profissional e a equipe a organizar informações, ideias e roteiros, porém não deve eliminar a “voz profissional”. A comunicação deve refletir a identidade de quem está por trás do atendimento.
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