Os procedimentos odontológicos estão entre os que apresentam maior risco de exposição a fluidos potencialmente contaminados, como saliva, sangue e aerossóis.
Portanto, é essencial seguir as normas de biossegurança e adotar protocolo adequados de esterilização em odontologia.
Neste guia, você vai encontrar informações completas sobre esse tema e como aplicá-las no seu dia a dia profissional ou acadêmico.
Acompanhe o passo a passo detalhado, conheça os métodos de esterilização disponíveis e confira orientações do Conselho Federal de Odontologia (CFO) e NR-32.
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Importância da esterilização odontológica para a biossegurança
A biossegurança na odontologia é um conjunto de técnicas e procedimentos que garantem a proteção e segurança de pacientes e profissionais.
Entre as medidas mais importantes está a esterilização odontológica, responsável por eliminar microrganismos e reduzir os riscos de contaminação cruzada durante os atendimentos odontológicos.
Uso obrigatório de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados, como luvas, máscaras, aventais, toucas e óculos de proteção.
Separação física ou técnica entre áreas limpa e suja para impedir a contaminação cruzada;
Treinamento inicial e contínuo da equipe sobre biossegurança e controle de infecção cruzada;
Notificação e registro de acidentes envolvendo materiais perfurocortantes, como agulhas, bisturis ou instrumentos.
E o Código de Ética Odontológica?
Já o Código De Ética Odontológica, baseado na Lei nº 5.081/1966 e elaborado pelo Conselho Federal de Odontologia, estabelece as normas para o exercício da profissão.
O documento não fala especificamente sobre biossegurança ou esterilização odontológica, mas reforça a responsabilidade do cirurgião-dentista em garantir a saúde do paciente e realizar suas atividades em condições de trabalho adequadas.
O, Art. 9º, VII, por exemplo, cita que o cirurgião-dentista deve “zelar pela saúde e pela dignidade do paciente.” Enquanto o Art. 5º, IV destaca que o profissional tem direito de “recusar-se a exercer a profissão em âmbito público ou privado onde as condições de trabalho não sejam dignas, seguras e salubres.”
Quais são os métodos de esterilização?
A esterilização pode envolver tanto métodos físicos quanto químicos. Confira!
Esterilização por autoclave: utiliza calor úmido na forma de vapor saturado sob pressão. É considerado padrão ouro por ser um método de esterilização seguro, rápido e econômico.
Esterilização por estufa: utiliza calor seco para esterilizar artigos. Por ser menos eficiente, não é tão usada nos consultórios, apenas para alguns modelos de brocas e alicates.
Esterilização química: na odontologia, ocorre por meio de difusão de óxido de etileno. Geralmente, esse processo é feito por empresas terceirizadas, o que o torna pouco viável para o consultório.
Passo a passo da esterilização odontológica
A esterilização odontológica é composta por várias etapas. A seguir, entenda o que deve ser feito em cada uma delas, incluindo boas práticas e dicas que tornarão o processo ainda mais eficaz.
Ambiente próprio e exclusivo
O processo de esterilização odontológica deve ocorrer em ambiente separado das áreas de atendimento. Além disso, a inclusão de barreiras físicas entre áreas contaminadas (limpeza/lavagem/separação de materiais) e áreas limpas (preparo/esterilização/estocagem de materiais) é fundamental.
Fluxo unidirecional
Todo os artigos que serão processados devem seguir um fluxo unidirecional, ou seja, o caminho realizado, desde a chegada do material contaminado até o armazenamento após a esterilização, nunca deve se cruzar.
Uso de EPIs obrigatórios
Antes de iniciar a esterilização odontológica, os profissionais responsáveis pela tarefa devem se paramentar adequadamente para evitar contaminações durante a limpeza.
Lembrando que é proibido utilizar o mesmo EPIs da área suja na área limpa.
Sequência de esterilização odontológica
A esterilização odontológica tem início com o recebimento e a segregação dos materiais contaminados no expurgo. A partir daí, segue-se um fluxo rigoroso, obedecendo à seguinte sequência:
1. Imersão
Após o uso, faça a imersão dos instrumentos odontológicos em cuba plástica própria para essa finalidade. Lembre-se de utilizar o detergente enzimático; nunca use detergente de uso doméstico.
BANNER DICA: na presença de matéria orgânica (como sangue, secreções ou tecido)
2. Limpeza
Realize a limpeza manual com uma escova de cabo longo; não utilize esponja de louça. O processo deve ser sob imersão na solução detergente para evitar contaminações com respingos contaminados.
Para a limpeza automatizada, invista em aparelhos robustos e compactos. Exemplos incluem Cuba Ultrassônica – Cristófoli, com 5 ciclos e opção de aquecimento, e Cuba Ultrassônica BioWash STD – Bio-Art com timer digital.
Após a limpeza manual ou ultrassônica, faça o enxágue dos instrumentos com água filtrada em abundância. Nessa etapa, é importante remover todo o desincrustante para evitar a formação de manchas cinza-escuras
4. Secagem
Seque os instrumentos com papel toalha, campo de algodão ou tecido que não solte fiapos. Também é possível otimizar o processo investindo em um secador de instrumentos. A secagem natural dos artigos não é recomendada pois pode causar manchas, seguido de corrosão e oxidação.
5. Inspeção
Faça uma inspeção minuciosa dos instrumentais odontológicos para identificar a presença de restos orgânicos ou oxidação. Dê uma atenção especial a superfícies dentadas, serrilhadas e com ranhuras.
6. Embalagem
Acomode os instrumentos, preferencialmente, em envelopes de papel grau cirúrgico. Para garantir o fechamento adequado dos pacotes e evitar que se rompam durante o processo, utilize seladoras odontológicas confiáveis como as da Cristófoli, Agir ou Essence Dental.
Coloque os pacotes na autoclave paralelamente uns aos outros, com pelo menos 1cm espaço. Essa disposição permite a circulação do vapor e facilita a secagem. Em seguida, programe o ciclo de esterilização, respeitando o tempo de exposição e temperatura indicados pelo fabricante.
8. Armazenamento
Armazene os pacotes em local seco, arejado e livre de umidade. É importante utilizar os instrumentos em até 7 dias. Caso contrário, após o período, é necessário repetir o processo de esterilização.
9. Monitorização
A monitorização da esterilização é fundamental para detectar falhas que possam prejudicar a eliminação dos microrganismos durante o processo. Veja como fazer:
Observe os indicadores físicos da autoclave para garantir a eficácia do processo;
Use indicadores químicos classe 1, 4 e 5 todos os dias;
Use indicadores biológicos pelo menos uma vez por semana, ou em toda carga com materiais implantáveis.
Manutenção dos equipamentos de esterilização: quando fazer?
Vale lembrar que, para garantir resultados seguros na esterilização, as autoclaves utilizadas no processo devem passar por manutenção periódica.
A frequência ideal varia conforme o uso e as orientação do fabricante, sendo que qualquer intervenção técnica deve ser feita por assistência autorizada, para não comprometer a garantia.
Ao mesmo tempo, existem cuidados básicos que podem ser adotados pela própria equipe odontológica para prevenir falhas e aumentar a vida útil do aparelho. Isso inclui:
Limpeza externa diária;
Limpeza diária de bandejas e câmara;
Monitorização diária com teste químico;
Limpeza semanal do anel de vedação
Monitorização semanal com teste químico.
Orientações com base no Manual da Autoclave Cristófoli Vitale 12-21.
Como vimos, manter a biossegurança odontológica é fundamental para evitar a propagação de doenças e contaminações, preservando a saúde de profissionais e pacientes.
Agora que você já saber como fazer isso, aproveite para colocar em prática nossas recomendações. Crie seus próprios fluxos e processos, treine sua equipe e promova um ambiente odontológico seguro e livre de riscos.
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