Pesquisa Científica na Odontologia: Como começar seu projeto, publicar e impulsionar sua carreira acadêmica?

Pesquisa Científica na Odontologia: Como começar seu projeto, publicar e impulsionar sua carreira acadêmica?

Na graduação tudo parece ser rápido demais! É uma correria gigante entre atendimentos na clínica, compra e organização de materiais, provas, seminários, e eu me perguntava: onde a pesquisa entra nesse turbilhão de coisas que já faço?

Mas, a ciência já estava em todas as coisas que eu já fazia. Nas perguntas que eu não conseguia responder de forma prática, nos casos clínicos que tinham um pouco mais de complexidade, nas condutas que mudavam de professor para professor. Ou seja, a pesquisa já fazia parte do meu cotidiano.

Hoje, caminhando entre a graduação e meu doutorado, concluo que a ciência não é um espaço reservado, mas um caminho possível, concreto e que transforma todos os pontos de vista.

Assim, quero compartilhar com você um pouco do que eu aprendi durante esse processo, pra você que esteja começando agora não se sinta em um lugar desconhecido.

Por que pesquisar ainda na graduação?

Pois é o momento que o raciocínio crítico e clínico está sendo instigado a todo momento. Todas as decisões clínicas mudam de verdade quando se há uma base sólida e bem fundamentada. Deixar de fazer um procedimento por que “sempre foi assim”, não faz mais sentido.

Hoje, até nos atendimentos simples da rotina clínica da faculdade tenho um olhar diferente, procurando sobre uma evidência antes de pedir uma opinião.

A durante a graduação é um diferencial gigante, abre portas e amplia a segurança. Faz enxergar que ser bom clinicamente não é o suficiente se você não souber porque e faz, e como funciona a fundo aquele procedimento.

Então bora comigo trilhar um caminho desde o início de uma pesquisa até a sua publicação?

Dicas para a sua Pesquisa Científica

O início de tudo! Afinidade com um tema e um orientador

No início não comecei pesquisando o que era ‘a minha cara’ mas o que me inquietava. E é aí que muitos colegas se perdem! Buscam temas prontos a espera de que a motivação venha depois. Comigo foi o contrário, a motivação veio quando percebi que existia uma lacuna real que eu queria preencher.

Como perceber isso?? Observe as disciplinas que provocam mais perguntas do que respostas, veja que temas aparecem repetidamente nos seus atendimentos, pergunte pra si mesmo: “o que eu gostaria que eu alguém tivesse escrito pra ajudar?”.

Com essas afirmações alinhadas, é o momento de ir em busca de um professor orientador, pra poder te ajudar norteando todo o processo. É uma parte bem decisiva, pois não é só quem assina um documento de papel, é quem vai te ajudar a pensar. E é bom aprender desde cedo que é melhor ter um orientador exigente do que um orientador ausente.

O ritmo é diferente, mas o crescimento também vai ser.

Um conselho! Não tenha medo de procurar professores que sejam produtivos, que você já tem conhecimento das suas atividades, e se elas forem afins com seus desejos, melhor ainda. Pois quando se vive a ciência no dia-a-dia, a paixão contagia, e isso que me puxou pra dentro da pesquisa.

Da ideia ao projeto

Escrever nunca foi um problema pra mim, mas é fundamental saber que um projeto precisa ser sólido o bastante para ficar pé, e para que não haja questionamentos, e pra isso uma excelente revisão de literatura é a base. Ou seja, buscar materiais de base de dados que são confiáveis como PubMed, SciELO, Scopus, dentre outras relevantes.

O processo é trabalhoso, mas no final o resultado é gratificante!

Com um tema definido, a revisão bem estruturada, você vai já vai conseguir junto ao seu orientador o ‘esqueleto’ do projeto.

Imagem de slide de apresentação com tópicos: Introdução, Objetivos, Metodologia e Cronograma de Execução relacionados à gestão de projetos.

Ah, e quando falamos de pesquisa em odontologia, e se tratar de alguma intervenção sendo feita em humanos ou animais, é necessário antes mesmo do projeto se iniciar, uma aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). Não é um bicho de 7 cabeças como se dizem por aí, e não devemos encarar como um entrava, mas como um compromisso com a ciência. E assim, é um alívio quando tudo está alinhado como deveria.

Pesquisa alinhada, tudo nos conformes, é hora de colocar em prática!

Execução, análise e redação: Onde a teoria vai de encontro com a vivência.

Nenhum protocolo vai te preparar para o que acontece na prática. Mas a metodologia que foi descrita precisa ser seguida a risca, para que os erros sejam minimizados ao máximo. Os ensaios amostrais fazem parte do desafio do processo, exige padronização, paciência e uma coisa que ninguém comenta, calibração.

Seja ela de um equipamento, ou até mesmo de um operador. Ou seja, de uma balança ou até mesmo de um grupo de pessoas que vai aplicar um questionário (para que todos perguntem da mesma forma).

Após essa coleta de dados ou execução de um caso, é hora de elaborar os resultados e de discutir os achados. Seja de forma estatística (com ajuda de testes que apontam a significam ou não do que se colocou a prova), ou até mesmo de forma descritiva e observacional (dizendo o que foi visto durante o processo).

No momento da discussão dos seus resultados é onde você irá “vender” o que produziu, interpretando os resultados e dialogando com outros autores, mostrando por que a sua pesquisa é importante de verdade, e como ela pode contribuir para os pilares da ciência além da pesquisa: ensino e extensão.

Hora de Apresentar e Publicar o Trabalho!

Sem dúvidas a experiência de apresentar um trabalho num congresso é ricamente engrandecedora, e transforma a vida acadêmica. É muito satisfatório compartilhar todo o processo que foi vivenciado com outros colegas da área. Não é somente um certificado! É a oportunidade de pesquisadores mais experientes olharem o estudo e darem suas opiniões.

Todas as críticas equivalem a melhorias. Bate um frio na barriga, claro. Ninguém está totalmente preparado, mas é essencial.

E a publicação? O primeiro passo é em conjunto com o seu orientador, escolher a resvista que desejam publicar, e a dica de ouro é:

Imagem com fundo azul com texto em português sobre busca de revistas relacionadas a temas relevantes e impacto positivo

Geralmente os passos após a elaboração do texto são: submissão, revisões, aceite e publicação de fato. E durante esse processo, cada rodada de revisão te ensina a ser um pesquisador mais preciso, mais claro e mais honesto com os próprios resultados do que foi pesquisado.

Pesquisa é estilo de vida! Carreira Acadêmica

Hoje a pesquisa está entrelaçada na minha vida, à clínica e os meus projetos e decisões pessoais. Encontrar um caso raro ou mais complexo e curioso, já desperta em mim a vontade de registrar para escrever sobre depois.

A pesquisa é acessível, humana e totalmente possível. Existe perfil ideal, SIM! Mas você só vai descobrir se é o seu, se você der o primeiro passo. E se com esse texto eu tiver conseguido despertar em você esse sentimento, já terá valido tudo.

Se houver alguma dúvida, deixe aqui nos comentários.

Até o próximo texto!
Patrick Brito l Acadêmico de Odontologia l Engenheiro, mestre e doutorando I @trickbrito

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