Hialuronidase: guia completo sobre o uso da enzima na Odontologia

Hialuronidase: guia completo sobre o uso da enzima na Odontologia

Ácido hialurônico (AH) é uma substância produzida naturalmente pelo nosso organismo, sendo encontrada em maiores quantidades na pele, tecidos conjuntivos e olhos.

É responsável pela hidratação e volume dos tecidos, além de lubrificar as articulações.

Com o passar dos anos, sua produção diminui, impactando na perda de volume e no surgimento de rugas e linhas de expressão.

O ácido hialurônico injetável é muito utilizado em procedimentos de Harmonização Orofacial.

O preenchimento facial com ácido hialurônico atrai água para a área aplicada, restaurando o volume e contorno facial, além de suavizar linhas e rugas.

Apesar de seguro, é importante o profissional estar ciente da possibilidade de intercorrências durante e após a aplicação.

Quando ocorre essa situação clínica, o dentista deve utilizar a hialuronidase, que é a enzima responsável pela degradação do ácido hialurônico.

Devido à grande procura pelo procedimento, vamos abordar neste artigo o mecanismo de ação, indicações, contraindicação e solucionar as principais dúvidas sobre o uso da enzima em procedimentos de harmonização facial.

O que é hialuronidase?

É uma enzima proteolítica que realiza a degradação do ácido hialurônico, reduzindo sua viscosidade e facilitando a reabsorção pelo organismo.

Conheça as principiais propriedades da enzima hialuronidase:

  • Realiza a quebra das cadeias polissacarídeas do AH;
  • Aumenta a permeabilidade da matriz extracelular;
  • Facilita a difusão e absorção de nos tecidos;
  • Atua como a gente reversor de preenchedores à base de ácido hialurônico.

Devido à essas características, é muito utilizada na Medicina e Odontologia para:

  • Reverter o preenchimento com ácido hialurônico;
  • Corrigir assimetrias causadas pelo procedimento;
  • Tratamento de intercorrências na Harmonização Facial;
  • Correção de volume;
  • Manejo de Necrose no caso de isquemias causadas pela aplicação do AH.

Quais são as intercorrências causas pelo preenchimento facial com ácido hialurônico?

Apesar de seguro, o procedimento pode causar intercorrências, sendo fundamental o monitoramento do paciente para avaliar a necessidade de aplicação da enzima. A seguir, você confere as principais.

Intercorrências Imediatas

  • Edema e equimose;
  • Dor local;
  • Oclusão vascular.

Ocorrem geralmente pelo acúmulo de AH no tecido, pressão tecidual e/ou oclusão vascular.

Intercorrências Precoces

  • Nódulos e assimetrias;
  • Infecções no local da aplicação.

Importante: Os nódulos e assimetrias ocorrem devido ao excesso do material preenchedor. Em caso de infecção, é importante avaliar se há necessidade do uso da enzima, além de prescrever antibiótico.

Intercorrências Tardias

  • Granulomas;
  • Infecções Tardias.

Importante:

  • São intercorrências raras;
  • Há necessidade de investigação clínica;
  • A aplicação deve ser realizada em mais de uma consulta, de acordo com a avaliação do profissional.

Quais são as contraindicações da enzima hialuronidase?

O uso da enzima não é recomendado nos seguintes casos:

  • Doença autoimune;
  • Imunossupressão;
  • Reatividade imunológica;
  • Presença de infecção no local da aplicação;
  • Alergia à proteína animal;
  • Alergia à produtos biológicos;
  • Gestantes e lactantes.

Portanto, quando utilizada por profissionais capacitados e dentro de protocolos clínicos adequados, é considerada uma substância segura, sendo uma ferramenta fundamental no manejo de intercorrências.

Como a hialuronidase funciona no organismo?

Para compreender o papel clínico da hialuronidase, é essencial entender seu mecanismo de ação.

A enzima atua rompendo as ligações presentes nas cadeias de ácido hialurônico:

  • Reduz o tamanho das moléculas do AH;
  • Diminui a viscosidade do gel preenchedor;
  • Facilita a dispersão nos tecidos;
  • Permite que o organismo absorva o material.

Saiba mais sobre o mecanismo de ação da enzima hialuronidase:

  • A enzima age por despolimerização:
  • Ocorre a fragmentação das cadeias de ácido hialurônico, rompendo as ligações glicosídicas;
  • Essa ação transforma o AH em um fluido de baixa viscosidade;
  • Esse processo facilitando absorção do AH, bem como sua eliminação pelo metabolismo;
  • A ação tem início imediato, porém o processo completo ocorre entre 24 e 48 horas após a aplicação;
  • O resultado depende da concentração e da dose aplicada.

Importante:

O ácido hialurônico utilizado em preenchedores é geralmente reticulado, ou seja, possui ligações químicas adicionais que aumentam sua estabilidade e durabilidade nos tecidos.

Mesmo assim, ele continua sendo suscetível à ação da hialuronidase.

A velocidade desse processo pode variar de acordo com fatores como:

  • Tipo de preenchedor utilizado;
  • Grau de reticulação do ácido hialurônico;
  • Quantidade de produto aplicado;
  • dose de hialuronidase utilizada.

Quais os benefícios da hialuronidase?

  • Biocompatibilidade;
  • Baixo risco de efeitos colaterais e reações adversas;
  • Resultados imediatos;
  • Aplicação minimamente invasiva;
  • Excelente relação custo-benefício.

O uso da hialuronidase é seguro?

Quando utilizada corretamente, é considerada uma substância segura.

No entanto, como qualquer procedimento clínico, a aplicação exige conhecimento técnico, diagnóstico adequado e domínio da anatomia facial.

Para o sucesso do procedimento, é fundamental o dentista compreender:

  • Anatomia de cabeça e pescoço;
  • Vascularização da face;
  • Nervos que atuam da região;
  • Planos de aplicação;
  • Estruturas de risco;
  • Propriedades do ácido hialurônico;
  • Características da enzima;
  • Mecanismo de ação da hialuronidase.

Apesar de raro, pode ocorrer coceira, sensibilidade, vermelhidão e/ou edema no local da aplicação.

Qual o protocolo clínico para aplicação da hialuronidase?

Antes de utilizar a enzima, é fundamental o dentista realizar uma avaliação clínica criteriosa, pois nem toda alterações observadas após o preenchimento é causada pelo procedimento.

Por isso, identificar corretamente a causa do é de extrema importância para definir o tratamento adequado para cada caso.

Para o sucesso do tratamento, é importante avaliar:

  • Condição física do paciente;
  • Se há necessidade de reversão;
  • Definição da dose adequada;
  • Escolha do plano de aplicação;
  • Acompanhamento do paciente após o procedimento.

A aplicação incorreta pode levar a resultados indesejados, como:

  • Degradação excessiva do preenchedor;
  • Perda de volume em áreas não planejadas;
  • Irregularidades estéticas;
  • Efeitos colaterais e adversos.

Esses cuidados garantem maior previsibilidade durante e após a aplicação da enzima, além de reduzir riscos e promover a segurança do paciente.

Hialuronidase na Odontologia

Na prática odontológica, a enzima desempenha papel fundamental no manejo de intercorrências relacionadas ao uso de preenchedores faciais com ácido hialurônico.

Saiba mais sobre as indicações da hialuronidase na Odontologia:

  • Aplicada em intercorrências precoces, imediatas e tardias;
  • Reversão de preenchimento em planos inadequados;
  • Remover o excesso de ácido hialurônico em uma região;
  • Correção de volume;
  • Correção de acúmulo de AH;
  • Tratamento de assimetrias;
  • Manejo de necrose causada pelo preenchimento;
  • Tratamento de obstrução vascular e isquemia;
  • Potencializar a difusão de anestésicos locais na Odontologia.

Conheça as intercorrências que mais ocorrem devido ao preenchimento com ácido hialurônico:

Excesso de preenchimento facial

  • Ocorre quando há volumização exagerada;
  • Intercorrência relativamente comum;
  • A enzima é utilizada para reduzir o volume e restabelecer a harmonia facial.

Assimetrias

  • Falha na técnica de aplicação;
  • Distribuição irregular do material;
  • Diferenças anatômicas entre os lados da face;
  • A hialuronidase permite ajustes no resultado estético.

Nódulos

Nódulos palpáveis ou visíveis podem surgir após aplicações de ácido hialurônico e podem estar relacionados à:

  • Acúmulo de produto;
  • Má distribuição do ácido hialurônico injetável;
  • Reação inflamatória localizada;
  • A enzima auxilia na dissolução dessas irregularidades.

Efeito Tyndall

  • Ocorre em áreas de pele fina, principalmente em olheiras;
  • Causada pelo preenchimento superficial do AH;
  • Caracterizada pela coloração azulada ou acinzentada na pele;
  • A enzima hialuronidase é indicada para remover o preenchimento.

Intercorrências vasculares

  • É uma das complicações mais preocupantes associadas ao preenchimento facial;
  • Ocorre quando o AH compromete o fluxo sanguíneo;
  • Pode causar isquemia e necrose tecidual;
  • A aplicação da enzima deve ser imediata.

Para o sucesso clínico da intervenção, é fundamental reconhecer os sinais e sintomas da obstrução vascular, como a dor intensa e a alteração de cor da pele (palidez ou cianose).

Reações inflamatórias

  • Inflamação tardia;
  • Inflamação persistente;
  • A degradação do preenchimento auxilia no tratamento do quadro clínico.

Como aplicar a hialuronidase?

  • A aplicação é realizada utilizando seringas de insulina ou tuberculina;
  • Via subcutânea ou intradérmica;
  • A diluição deve ser feita de acordo com a orientação de cada fabricante;
  • A enzima deve ser diluída em soro fisiológico;
  • O profissional deve infiltrar a diluição na área do preenchedor a ser removido, utilizando agulha ou cânula.

Dica clínica

  • A ação proteolítica finaliza entre 24 e 48 horas;
  • Aguarde pelo menos uma semana para nova aplicação, devido ao edema residual;
  • Além da aplicação da enzima, pode ser indicada a prescrição de antibióticos e corticoides.

Por que todo dentista que trabalha com preenchedores deve conhecer a hialuronidase?

A prática da Harmonização Orofacial exige preparo técnico e responsabilidade profissional, conforme descrito na Resolução CFO-198/2019, que reconhece a Harmonização Orofacial como especialidade odontológica.

Segundo o Conselho Federal de odontologia “As áreas de competência do cirurgião-dentista especialista em Harmonização Orofacial, incluem:

  1. Praticar todos os atos pertinentes à Odontologia, decorrentes de conhecimentos adquiridos em curso regular ou em cursos de pós-graduação de acordo com a Lei 5.081, art. 6, inciso I;
  2. Fazer uso da toxina botulínica, preenchedores faciais e agregados leucoplaquetários autólogos na região orofacial e em estruturas anexas e afins;
  3. Ter domínio em anatomia aplicada e histofisiologia das áreas de atuação do cirurgião-dentista, bem como da farmacologia e farmacocinética dos materiais relacionados aos procedimentos realizados na Harmonização Orofacial;
  4. Fazer a intradermoterapia e o uso de biomateriais indutores percutâneos de colágeno com o objetivo de harmonizar os terços superior, médio e inferior da face, na região orofacial e estruturas relacionadas anexas e afins;
  5. Realizar procedimentos biofotônicos e/ou laserterapia, na sua área de atuação e em estruturas anexas e afins; e,
  6. Realizar tratamento de lipoplastia facial, através de técnicas químicas, físicas ou mecânicas na região orofacial, técnica cirúrgica de remoção do corpo adiposo de Bichat (técnica de Bichectomia) e técnicas cirúrgicas para a correção dos lábios (liplifting) na sua área de atuação e em estruturas relacionadas anexas e afins”

Portanto, o domínio sobre o uso da hialuronidase faz parte do conhecimento sobre farmacologia e farmacocinética dos materiais utilizados na Harmonização Orofacial, impactando nos seguintes aspectos:

Segurança clínica

  • Segurança do paciente em procedimentos realizados com ácido hialurônico;
  • Tratamento de intercorrências;
  • Redução de complicações durante e depois do preenchimento;
  • Previsibilidade do caso clínico.

Responsabilidade profissional

  • O dentista deve estar preparado para lidar com possíveis complicações;
  • O profissional, segundo o CFO, deve dominar técnicas e fármacos;
  • Dominar o uso da enzima faz parte dessa responsabilidade.

Preparo para urgência e emergências

  • Em situações como intercorrências vasculares, a rapidez na intervenção pode ser determinante para preservar a integridade dos tecidos e a saúde sistêmica do paciente;
  • O profissional pode responder legalmente se não realizar a intervenção adequada em casos de urgências e emergências.

Atualização científica

  • Novos protocolos, técnicas e materiais surgem regularmente, exigindo atualização constante do dentista;
  • O conhecimento técnico permite que o profissional adote condutas baseadas em evidências, aumentando a previsibilidade e a segurança dos tratamentos.

Portanto, para o dentista especialista em Harmonização Orofacial, compreender profundamente o mecanismo de ação, indicação e contraindicação da hialuronidase não é apenas uma questão técnica, pois envolve segurança clínica, responsabilidade legal e ética profissional.

FAQ – Dúvidas comuns sobre a hialuronidase na Odontologia

Para facilitar a compreensão sobre o tema, elaboramos uma lista das dúvidas mais comuns sobre o uso da enzima para reverter o preenchimento facial com ácido hialurônico:

Qual a diferença entre ácido hialurônico e hialuronidase?

O ácido hialurônico é indicado para preenchimento de áreas que perderam volume, melhora de contorno e para suavizar rugas e linhas de expressão.

Já a enzima hialuronidase é indicada para dissolver o AH injetado, realizando a reversão parcial ou total do procedimento.

Para facilitar a compreensão, elaboramos a seguinte tabela:

Imagem explicativa sobre manchas extrínsecas, escurecimento, restaurações antigas, desgaste incisal e inflamação gengival leve, relacionadas a problemas bucais.

A hialuronidase dissolve qualquer tipo de preenchedor?

Não, a atuação é específica sobre o ácido hialurônico.

Preenchedores compostos por outras substâncias não são degradados pela enzima.

A ação da enzima é imediata?

O início da ação costuma ser rápido, mas a dissolução completa varia de acordo com quantidade aplicada.

É possível dissolver apenas parte do preenchimento?

Sim. Em muitos casos, o procedimento é realizado correções parciais, permitindo ajustes no volume ou no contorno do preenchimento.

O paciente pode realizar novo preenchimento após a aplicação?

Novos procedimentos podem ser realizados após a completa resolução do quadro. O intervalo é determinado pelo dentista, após reavaliação clínica.

A aplicação é dolorosa?

A sensação é semelhante à de outras aplicações injetáveis.

O desconforto costuma ser leve e pode ser minimizado com anestesia tópica e/ou local.

Conclusão

Para o dentista que realiza com preenchimento facial com ácido hialurônico, compreender as características e indicações da hialuronidase é fundamental para promover a segurança do paciente e o sucesso do caso clínico.

Além de corrigir resultados indesejados, o uso da enzima permite tratar intercorrências que podem surgir durante e após procedimentos utilizando AH, garantindo uma atuação profissional baseada em ética e base científica.

Referências

https://eapgoias.com.br/hialuronidase-na-odontologia/

https://eapgoias.com.br/hialuronidase-na-odontologia/

https://revista.unifeso.edu.br/index.php/cadernosodontologiaunifeso/article/view/4308

https://www.codental.com.br/blog/hialuronidase-tudo-que-voce-precisa-saber

https://blog.dentalcremer.com.br/hialuronidase-tratamento-de-intercorrencias

https://www.idealodonto.com.br/blog/hialuronidase-o-que-e-para-que-serve-e-como-atua-na-estetica

https://www.ident.com.br/ia/pergunta/186743-o-que-e-hialuronidase-e-para-que-serve-quando-usar

https://www.ident.com.br/ia/pergunta/63682-como-aplicar-hialuronidase

https://www.ident.com.br/ia/pergunta/23059-como-usar-a-hialuronidase

https://www.ident.com.br/ia/pergunta/138095-diluicao-de-hialuronidase

https://www.ident.com.br/ia/pergunta/76807-uso-da-hialuronidase-para-remocao-de-preenchedor

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