Mesmo com todo o preparo antes do início das atividades clínicas na faculdade, com toda a rotina de estudos teóricos e laboratoriais, nada me preparou totalmente para a sensação de estar ali, diante do paciente, com o professor observando e o relógio correndo mais rápido mais rápido que o normal (a hora voa)!
A transição da teoria para a prática é incrível, mas é um choque e isso não é dito o suficiente.
Agora formando, escrevo esse texto como um amigo que já passou por inúmeras situações, errou bastante e aprendeu muito na prática. Se eu tivesse lido algo assim antes de começar, acredito que alguns tropeços seriam evitados, então, espero te ajudar!
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1) Confiar demais na teoria não leva a preparação pra prática
No início eu acreditava que saber na ponta da língua todo o conteúdo teórico seria suficiente para que a minha prática fosse excepcional. Só que a teoria não te entrega o ritmo da clínica, nem o peso da sobre um paciente (por mais que você não seja o responsável real naquele momento).
Travei inúmeras vezes. Em uma delas simplesmente esqueci o passo-a-passo, que em uma aula de laboratório não aconteceria.
A adrenalina é alta! Hoje, antes de qualquer atendimento eu reviso o prontuário do paciente, estudo novamente a técnica operatória que vou empregar, confiro se estou com todos os meus materiais adequados para o procedimento, e além disso, dou uma pesquisa na literatura para lembrar quais as intercorrências mais comuns para o procedimento em questão, de forma a também saber a técnica e ter os materiais necessários para tratar e contornar a situação.
2) Nunca subestime a biossegurança, mesmo achando que saiba tudo.
A gente costuma achar que a biossegurança e a nossa proteção é intuitiva, e não é. No início, eu cometia pequenos deslizes que não eram percebidos por mim, e só ficava sabendo quando o professor passava no final fazendo suas considerações.
Confundir a ordem de uma paramentação, contaminar materiais estéreis sem querer e errar a montagem de uma mesa operatória deixando ela pouco funcional, são alguns desses deslizes. Ainda bem que temos nossas duplas, que ajudam a buscar o que faltamos colocar.
Certa vez precisei remarcar um procedimento pois o meu kit cirúrgico estava montado errado, e acabei contaminando o campo operatório sem notar. Ou seja, erro aprendido e nunca mais cometido.
3) Pedir ajuda não é vergonha!
Esse foi de longe o meu erro mais emocional. A insegurança de parecer inseguro era horrível. De início não entendia como uma curva de aprendizado, e pensava que seria penalizado por todos os erros cometidos, e não é assim que funciona.
Então tentava resolver sozinho, mesmo quando já estava nitidamente ultrapassando os meus limites.
Evitar levantar a mão, ou chamar o professor/preceptor no tempo certo é um grande erro. Isso só é prejudicial para você, ou seja: retrabalho, tempo perdido, estresse lá nas alturas.
Pedir ajuda não diminui ninguém, pelo contrário: engrandece, demonstra responsabilidade e maturidade clínica, e isso também é avaliado. Hoje quando não sei, digo que não sei, e peço orientação. Tudo se torna mais simples.
4) A comunicação com o paciente precisa ser simples
No começo, a euforia de mostrar que sabe leva você a falar tecnicamente com o paciente, como se estivesse apresentando um seminário para os colegas de turma, e não deve ser assim. A forma de falar deve ser fácil, de maneira que o seu paciente se sinta seguro em realizar o procedimento, e que entenda tudo que irá acontecer.
A linguagem técnica pode caminhar junto, mas sempre simplificando ela depois. Falar muito tecnicamente gera tensão, insegurança, desconforto com o paciente, e você ficará com a leve sensação que o paciente está mais inseguro com a falta de informação com fácil entendimento do que com o procedimento em si.
Hoje eu faço o seguinte: explico o procedimento de forma simples e objetiva, informo antes de realizar cada passo, e pergunto regularmente se está tudo bem. Isso estabiliza o atendimento e cria um vínculo essencial entre vocês.
5) Não administrar o tempo clínico é um problema
No laboratório a prática parece infinita, mas na cliníca não. E entender isso demora. Iniciar o procedimento sem entender ou estudar o tempo de cada etapa é um erro crucial. Atrasa tanto o paciente que está na cadeira quanto no próximo que está na sala de espera aguardando.
Ou seja, uma correria que não é só atraso, é quase uma sentença de não garantia da qualidade do atendimento. Não dá pra ser na correria.
Hoje, antes de cada procedimento, o passo-a-passo fracionado mentalmente e no relógio, de forma a conseguir executar tudo no tempo certo. Pode parecer simples, mas faz total diferença. Desde procedimentos de dentística e endodontia, até procedimentos cirúrgicos.
A clínica ensina por um caminho que a sala de aula não alcança. Não existe prática sem teoria, mas somente a teoria não leva a segurança prática.
Os erros que cometi não foram agradáveis, mas foram fundamentais para que eu pudesse amadurecer. A clínica não é um espaço de busca pela perfeição imediata, é um lugar de desenvolvimento, em que a velocidade é individual, que deve ser orientada pelo professor, pelas revisões antes de cada procedimento, e pela segurança do seu paciente para com você.
Espero que eu tenha te ajudado a conseguir uma tranquilidade maior agora nesse momento de início das clínicas. Ou se você já começou, compartilha comigo aqui nos comentários o que te deixa mais ansioso nesse momento.
Nos encontramos no próximo texto! Patrick Brito I Acadêmico 10º de Odontologia Instagram: @trickbrito
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