Na Endodontia, cada etapa impacta no sucesso do caso clínico. Além da limpeza e modelagem do conduto, o selamento endodôntico é fundamental para promover a longevidade do tratamento.
O cimento endodôntico é responsável pelo o selamento hermético e tridimensional do canal radicular, mas diante de tantas opções, como por exemplo cimentos biocerâmicos, resinosos, à base de óxido de zinco e eugenol, hidróxido de cálcio e MTA, como escolher o cimento ideal para cada caso?
Neste artigo, vamos abordar os tipos de cimento endodôntico, indicações e propriedades fundamentais, além de dicas clínicas sobre manipulação, oferecendo um guia completo para você tomar decisões assertivas para o sucesso do tratamento endodôntico.
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O que são cimentos endodônticos?
O cimento endodôntico é um biomaterial utilizado em conjunto com o cone de guta percha para realizar a obturação do canal radicular.
É responsável por selar os túbulos dentínários, ramificações e istmos que não são preenchidas pela guta – percha, impedindo a entrada de fluidos e microrganismos que podem contaminar o conduto e os tecidos periapicais.
Qual a função do cimento endodôntico?
Os cimentos preenchem os espaços entre a guta-percha e as paredes dentinárias, garantindo selamento lateral e apical, impedindo infiltrações e prevenindo a recontaminação microbiana.
Funções dos cimentos obturadores endodônticos:
Selamento do canal radicular: promover uma vedação tridimensional;
Vedamento hermético: impedir a entrada de microorganirmos;
Reparo tecidual: estimular a reparação periapical;
Ação antimicrobiana: prevenir a contaminação do conduto.
Como escolher o cimento endodôntico?
A escolha depende de diversos fatores, como:
Complexidade do caso: em canais amplos ou retratamentos, cimentos biocerâmicos possuem excelente indicação;
Objetivo clínico: em casos com lesões periapicais, é indicado escolher cimentos bioindutivos;
Experiência do operador: a familiaridade com a manipulação influencia o desempenho do material;
Custo-benefício: materiais com maior custo justificam sua aplicação pela previsibilidade e longevidade clínica.
Além disso, o dentista deve avaliar:
Anatomia do canal;
Presença de reabsorção ou perfuração;
Condição periapical;
Técnica de obturação endodôntica.
Portanto, a escolha do cimento é fundamental para o sucesso e longevidade do tratamento endodôntico, tanto quanto a qualidade do preparo e a desinfeção do canal.
Qual a consistência ideal para o cimento endodôntico?
O protocolo de manipulação do cimento varia conforme o tipo de cimento utilizado (pó-líquido, pasta-pasta ou pronto para uso) e orientações de cada fabricante, mas algumas dicas são fundamentais:
Seguir as orientações do fabricante sobre a proporção pó/líquido ou pasta base e pasta catalisadora;
A consistência ideal é alcançada quando o cimento forma um filamento de 1 a 2 cm ao ser puxado entre as espátulas;
Essa viscosidade garante escoamento suficiente sem comprometer o controle da manipulação do material.
Para o sucesso clínico ao manipular o cimento, é importante secar o conduto, utilizar lentulo ou limas para inserir o material, evitando o extravasamento e bolhas.
Além disso, é importante e realizar o controle radiográfico logo após a obturação, garantindo o preenchimento completo do conduto e identificando eventuais extravasamentos.
Propriedades dos cimentos endodônticos
Um bom cimento deve reunir propriedades físicas, químicas e biológicas que garantam seu bom desempenho clínico. Dentre as principais, destacam-se:
1. Biocompatibilidade
Não irritar os tecidos periapicais;
Permitir o reparo e cicatrização tecidual;
2. Bioatividade
Estimular o reparo e a formação de tecido mineralizado.
Cimentos biocerâmicos e à base de hidróxido de cálcio se destacam na bioindução, pois favorecem neoformação de tecido ósseo e reparo apical.
3. Escoamento Adequado:
Penetrar em irregularidades;
Penetrar em istmos e ramificações.
O escoamento define a capacidade do cimento em penetrar em áreas de difícil acesso, contribuindo para o selamento tridimensional.
4. Tempo de trabalho
Permite a manipulação adequada;
Facilita a inserção e acomodação do cimento;
5. Tempo de presa
Permite a inserção adequada;
A presa rápida pode dificultar a obturação;
A presa lenta aumenta o risco de contaminação.
6. Capacidade de Selamento
Adesividade à dentina e cone de guta-percha;
Realizar o selamento hermético;
Evitar a infiltração por fluidos e microorganismos
7. Estabilidade Dimensional
Ser estável dimensionalmente;
Não sofrer contração que comprometa o selamento.
8. Baixa Solubilidade
Resistência aos fluidos teciduais;
Não diminuir a capacidade de selamento ao longo do tempo.
9. Radiopacidade
Permitir a visualização em radiografias, para avaliar a qualidade da obturação.
10. Facilidade de remoção
Fácil de ser removido, se houver a necessidade de retratamento endodôntico
Ao escolher um cimento obturador, é importante o dentista considerar as propriedades físico-químicas, avaliar a anatomia do canal radicular e características do caso clínico, pois são pontos importantes para promover o sucesso do tratamento endodôntico.
Classificação dos cimentos endodônticos
Os cimentos são classificados de acordo com sua composição química. Vamos abordar os principais tipos utilizados na prática clínica, características e marcas comerciais.
Tipos de cimentos endodônticos:
1. Cimento endodôntico à base de óxido de zinco e eugenol
Os cimentos à base de pó de óxido de zinco e eugenol líquido foram os primeiros utilizados na Endodontia.
Características:
Facilidade de manipulação e baixo custo;
Ação anti-inflamatória e antimicrobiana;
Boa radiopacidade;
Boa capacidade de selamento.
Desvantagens:
Solubilidade em fluidos teciduais;
Citotoxicidade do eugenol;
Possibilidade de irritação tecidual;
Interferência do eugenol na polimerização de resinas compostas;
Tempo de presa longo, se comparado aos outros cimentos.
São classificados em dois tipos:
Cimento endodôntico de Grossman
Baixa solubilidade;
Boa aderência;
Alta fluidez;
Antimicrobiano;
Não pigmenta o elemento dental.
Marcas comerciais: Endofill, Pulp Fill e Fill Canal.
Cimento endodôntico de Rickert
Alta fluidez e escoamento;
Antimicrobiano;
Pode pigmentar o elemento dental.
2. Cimento endodôntico à base de hidróxido de cálcio
A presença de hidróxido de cálcio na composição estimula a reparação tecidual e formação de tecido duro.
Características:
Ação antimicrobiana e anti-inflamatória;
Estímulo à formação de cemento apical;
Boa biocompatibilidade.
Desvantagens:
Baixa radiopacidade se comparado aos outros cimentos;
3. Cimento endododôntico à base de resina de salicilato e MTA
O MTA (Mineral Trioxide Aggregate) revolucionou a Endodontia por apresentar como principal característica a bioatividade. A resina de salicilato apresenta uma excelente capacidade de vedação e biocompatibilidade.
Características:
Excelente biocompatibilidade;
Potencial de ação osteoindutivo;
Selamento apical superior;
Alta radiopacidade;
Excelente performance em casos de obturação retrógrada.
Atualmente, são considerados materiais de escolha em obturações convencionais e retratamentos, especialmente quando se busca reparo biológico e durabilidade do selamento.
Diferenciais do cimento endodôntico biocerâmico
Nos últimos anos, os biocerâmicos revolucionaram a Endodontia por causa dos seguintes diferenciais:
Interagem biologicamente com o tecido periapical;
Quando em contato com fluidos corporais, liberam íons de cálcio e fosfato, promovendo precipitação de hidroxiapatita e integração mineral com a dentina;
A bioatividade favorece o selamento apical, reduzindo significativamente a taxa de insucessos;
Menor solubilidade e estabilidade dimensional elevada, que garantem resultados mesmo em ambientes úmidos.
Para facilitar a compreensão criamos esta tabela comparando os cimentos obturadores endodônticos:
A escolha do cimento endodôntico impacta diretamente no sucesso do caso clínico e na longevidade do tratamento, pois o biomaterial é responsável pelo selamento tridimensional do canal radicular.
O dentista deve considerar biocompatibilidade, escoamento e selamento, além da anatomiado canal e indicação clínica.
Cimentos de última geração, como por exemplo os biocerâmicos e à base de MTA, devem ser considerados para a obturação, devido à suas características físicas e químicas.
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CRO SP-77324
Cirurgiã-dentista pela Universidade Paulista (UNIP), especialista em endodontia pelo Hospital Geral do Exército de São Paulo (HGESP) e especialista em marketing pela Universidade Mackenzie.
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